Libertar-se parece algo simples, mas tenho
constatado na minha busca por uma renovação interna que muitas vezes estamos
“presos” sem nos darmos conta disto. Seja acorrentado por circunstâncias
externas a nós, seja por questões vinculadas ao nosso interno, como coloca
Augusto Cury em várias de suas obras, quando ao invés de controlarmos nossos
pensamentos somos controlados por estes.
De acordo com a Psicologia Social, o
individuo ao mesmo tempo em que transforma a sociedade é transformado por esta,
havendo uma troca, onde o externo é resultado do interior de cada um de nós,
que acaba por influenciar-nos coletivamente e vice-versa. Percebe-se neste
contexto nossa responsabilidade social, considerando que todos nós vivemos em
grupo, ou seja, somos corresponsáveis pela construção do meio em que habitamos
e consequentemente das idéias, pensamentos, convicções que predominam na
atualidade.
No entanto até que ponto somos livres para
agir e transformar o ambiente externo a nós, considerando que hoje existe um
padrão para tudo? Sendo valorizado quem se encontra formatado por este, seja um
padrão de beleza, financeiro, de status... É vendida a idéia de que feliz é
aquele que possui um corpo sarado e dinheiro no bolso. Mas então alguém me
explica por que maior parte da população, para não dizer, praticamente todas as
pessoas encontram-se adoecidas emocionalmente?
Estamos nos preocupando de forma exacerbada
com o externo, e esquecendo-nos de cuidar da nossa mente e coração. Estamos
seguindo o fluxo sem nem mesmo nos questionar o quanto suas práticas são
doentias, buscamos a perfeição enquanto seres imperfeitos em um mundo de
imperfeições, acreditando que só assim seremos felizes. Triste engano!
Pois acredito que nos aproximamos da
liberdade apenas quando aprendemos a pensar de forma crítica, quando percebemos
que a reflexão é fonte de sabedoria, quando em frente a qualquer situação ou
obstáculo conseguimos manter-nos pacientes, quando sabemos diferenciar bom
senso de senso comum, observando que existe uma lacuna muito grande entre estes
dois conceitos, que qualidade de vida não é sinônimo de riqueza material,
quando aprendemos que podemos sim controlar nossos pensamentos não deixando que
as idéias negativas predominem. Somos livres quando como coloca Fernando Pessoa
de forma inteligentíssima deixamos
de nos acostumar com o que não nos faz feliz.
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